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quinta-feira, 24 de junho de 2010

Observe antes de fazer

Você esta empregado, mas quer ter o próprio negócio. Então, aproveite o emprego atual para aprender a empreender. Não se trata de ignorar o chefe e começar a fazer as coisas do seu jeito. Mas dá para adquirir conhecimentos que serão úteis no futuro.
Quem trabalha numa grande empresa tem a impressão de que dinheiro não é problema. Quando utiliza um material de escritório, o empregado não sabe onde aquilo foi comprado, nem quanto custou. Alguém cuidou do caso. No negocio próprio, esse “alguém” é a própria pessoa. E um bom exercício é começar a prestar atenção na quantidade de coisas que você vê ou usa todos os dias. Se você fosse o dono da empresa, o que deixaria de comprar? O que substituiria? Esse é o “olho do dono”, que o empregado não tem, mas o empreendedor precisa ter.
Outro fator essencial é prestar atenção nas queixas mais comuns que os empregados fazem (e que você, como empregado, talvez faça também). Se você fosse o dono da empresa, que resposta daria a eles? Como os convenceria a mudar de idéia? Porque são essas mesmas queixas que você irá enfrentar quando for dono.
Pratique também a habilidade de decidir. Quando surge um problema, um empregado costuma ver apenas o seu lado. Vá um pouco mais longe, e avalie o caso por inteiro. Como aquele problema afeta outras áreas? Qual seria a decisão que causaria o menor estrago e geraria o melhor índice de satisfação? O empregado sempre vê a fatia. O empreendedor precisa enxergar o bolo inteiro.
Muitos ex-empregados só descobrem que não conseguem fazer tudo isso depois que abrem o negocio próprio. Então, comece a praticar já. Observando, perguntando e tirando suas conclusões.

Próximo assunto: Busque orientação

Max Gehringer

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Vaga sob medida

Por último, é bom estar preparado para tudo, inclusive para o inesperado. Vou contar um caso que presenciei. Quatro candidatos disputavam uma vaga para estagiário. No dia anterior, cada um deles recebeu uma pasta com dados sobre a empresa. Ali constavam informações diversas, como visão da empresa, missão, relatório anual e balanço. Também estavam em destaque pontos considerados fundamentais – entre eles, ética, trabalho em equipe e integração de áreas. Para surpresa geral, na dinâmica de grupo, em vez de dar respostas, os candidatos tiveram de formular as perguntas. Como assim?
Esta é uma dinâmica bastante original. Ela funciona assim: no dia da dinâmica, o coordenador recolhe as pastas. E aí, chama à sala um outro candidato, que está concorrendo a uma outra vaga de analista de sistemas. A tarefa dos quatro participantes da dinâmica será entrevistar esse candidato. Não do ponto de vista técnico, mas para saber se o candidato vai se enquadrar na cultura da empresa.
Assim, os quatro participantes tiveram seus papéis invertidos – eram eles que precisavam formular as questões. É fácil concluir que o participante que estudou melhor as informações teve melhor desempenho. E foi o que aconteceu. A dinâmica foi filmada, e os vídeos mostraram que, dos quatro participantes, apenas um demonstrou ter estudado, de fato, o material previamente fornecido. Foi ele quem se saiu melhor e acabou contratado.
E os outros três? Ah, eles estavam preparados para uma dinâmica padrão em qualquer empresa. Acharam que a pasta de informações era só para inglês ver. Conclusão: A oportunidade se abriu para quem soube se preparar para conquistar a vaga naquela empresa.

Amanhã: Seja dono do seu proprio negocio
 
Max Gehringer

domingo, 20 de junho de 2010

Teste de aceitação

Você esta em uma dinâmica de grupo. Em dado momento, varias fotografias de personalidades são mostradas, uma a uma. E o mediador pergunta quem é aquela pessoa. Quem sabe a resposta, levanta a mão. Como você reconhece todas, mesmo as que ninguém se arisca, ergue a mão todas as vezes. “Tom Jobim”, “Bill Clinton”, “Gandhi”... E acerta tudo. Seu ótimo desempenho até vira motivo de piada dos demais candidatos. Ao final, você não é aprovado. O que houve de errado?
Responda a seguinte pergunta: “Quem descobriu a América?”. De bate-pronto, você afirma “Cristóvão Colombo”. Resposta certa. Agora, imagine a mesma cena de um jeito diferente:
- Quem descobriu a América?
- Será que foi... Cristóvão Colombo?!
Viu a diferença? A mesma resposta, mas de um modo mais suave, simpático e até com certo suspense, como se estivesse em dúvida.
É a mesma técnica usada em programas de perguntas e respostas de TV. O apresentador faz a pergunta. Mas o candidato não responde secamente nem de imediato, mesmo que saiba a resposta. Primeiro, faz suspense, cria o clima. Só depois responde. E ainda dá a impressão de que está na dúvida. E, depois, fica feliz e vibra com a resposta certa. A explicação é que esse comportamento desperta mais a simpatia do telespectador do que a resposta correta e afirmativa do “doutor sabe-tudo”.
Nesse tipo de dinâmica acontece a mesma coisa. É um teste de aceitação. A percepção do grupo sobre você é mais importante do que você acertar todas as respostas. Para isso, é preciso saber envolver as pessoas e marcar sua imagem positivamente.

Amanhã: Vaga sob medida

Última postagem sobre Acerte na entrevista e no currículo.

PROXIMO ASSUNTO: Seja dono do Próprio negocio.

sábado, 19 de junho de 2010

Seja lógico e criativo

As dinâmicas de grupo estão cada vez mais criativas. Sempre tem aquela situação que pega os candidatos de surpresa. Na situação anterior, comentamos a pergunta “Que bicho você seria”. Aqui, seguimos no reino animal. Desta vez, a pergunta é: “se você ganhasse uma galinha viva, o que faria com ela?”. Neste exemplo, a vaga oferecida é a da trainée em uma grande empresa. E aí, já pensou o que voe faria?
Uma das utilidades deste tipo de pergunta é descobrir a área ou o departamento que o candidato melhor se encaixa. Para exemplificar a situação, imagine as seguintes respostas:
- Daria a galinha para uma pessoa necessitada. – perfil de recursos humanos.
- Venderia a galinha. – perfil da área comercial.
- Pensaria nos custos para manter a galinha. – perfil do setor financeiro.
- Tentaria fazer a galinha botar o dobro de ovos. – perfil da área de sistemas e métodos.
- Como é um símbolo de fertilidade, penaria em aproveitar sua imagem. – perfil de marketing.
- Teria outras galinhas para abrir uma granja. – perfil empreendedor.
Os mais práticos diriam que fariam uma canja para o jantar.

Há muitos candidatos iguais no mercado de trabalho. as dinâmicas buscam identificar os poucos que são diferenciados. Portanto, respostas co lógica e criatividade ganham mais pontos.

Amanhã: Teste de aceitação

Max Gehringer

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Se você fosse um bicho...

Não, não é uma pergunta para tentar adivinhar o seu amigo-oculto na festa de fim de ano da empresa. “Se você fosse um bicho, qual seria?” é uma questão que faz parte das dinâmicas de grupo. Naturalmente, você quer saber qual seria a melhor resposta. E ela é... Depende! O bicho pode variar de acordo com o tipo de vaga oferecida. Mas atenção: ”Depende” é bem diferente de “Tanto faz”.
Uma candidata foi eliminada nesta pergunta. E ficou curiosa para saber o porquê. A dinâmica era para selecionar um candidato para a área de marketing. A candidata em questão respondeu: ”Uma abelha”. E complementou: “A abelha tem tudo o que uma empresa espera de um funcionário. É organizada, sabe trabalhar em equipe, respeita a hierarquia e é muito produtiva.”
Sem dúvida, uma boa argumentação. Mas, em dinâmica, não basta formular bem a resposta. Ou seja, você não pede pensar “tanto faz o bicho que eu escolher, porque só preciso argumentar bem”. O “pulo do gato”(já que o assunto é bicho) é não perder de vista o tipo de vaga oferecida. Em minha opinião, a abelha seria uma ótima escolha se o cargo fosse para a área de vendas, não de marketing. Porque abelhas são ótimas executoras, mas não são criativas.
Por coinscidencia, conheço uma historia com a mesma pergunta e também para a área de marketing. Depois de os outros participantes terem escolhido os melhores bichos, restou para o último candidato dizer: “como todo mundo aqui parece ser melhor que eu, então eu queria ser a zebra desse processo”.
E ele foi o escolhido. Porque usou a ferramenta mais valorizada em marketing: a criatividade.

Amanhã: Seja lógico e criativo

Max Gehringer

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Use o tempo a seu favor

Em certa idade, se ainda estamos solteiros, começamos a ouvir a pergunta: “Ainda não casou?”. E chega uma hora que não sabemos mais que resposta dar. e, depois de casados, mas ainda sem gerar descendentes, vêm a outra pergunta: “Ainda não tem filhos?”. Se uma pessoa fica alguns meses desempregada, algo semelhante acontece: “Ainda sem trabalho?”. Na entrevista de emprego, a questão é mais bem elaborada: “Por que, em sua opinião, você ainda não conseguiu um novo emprego?”.
Imagine que o candidato em questão tenha um bom currículo, sempre esteve empregado e desempenhava bem suas funções. E que foi demitido. Agora, passados seis meses, ainda não conseguiu se recolocar no mercado. Não é uma situação fora do comum. Mas aí chega a hora da entrevista. E vem aquela fatídica pergunta: “Em sua opinião, por que ainda não conseguiu um novo emprego?”. Na outra entrevista, a mesma coisa. E assim por diante. Até que o candidato já fica apavorado só de pensar em novos processos de seleção.
Uma resposta possível é o candidato começar dizendo que tem consciência da competitividade do mercado. E complementar que não quer se precipitar em uma escolha que pode não ser a ideal nem para ele nem para a empresa que o contrate.
Mas o jeito para deixar o trauma para lá é conseguir uma ocupação. Nem que seja como voluntario de uma instituição, como uma ONG. Mesmo que não seja remunerado. Além de prestar um serviço socialmente importante e conhecer pessoas, é algo sobre o qual você poderá falar nas próximas entrevistas.
Enfim, não se sinta prisioneiro do desemprego. Use o período sem trabalho remunerado a seu favor.

Amanhã: A DINAMICA DE GRUPO – Se você fosse um bicho...

Max Gehringer

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Tenha jogo de cintura

Sua empresa abriu uma vaga para supervisor. O contratado será escolhido entre os próprios funcionários. Ao todo, são 20 candidatos internos. Você se preparou para uma entrevista tradicional ou uma dinâmica de grupo. Para sua surpresa, ao entrar na sala você se depara com quatro gerentes. E é informado que tem um minuto para explicar porque deveria ser escolhido para o cargo. Como agir em uma situação assim?
Este método de avaliação é conhecido como processo de impacto.
É uma típica situação em que o profissional é pego de surpresa e precisa mostrar jogo de cintura para se equilibrar sem levar em tombo. Veja um modo de montar seu discurso:
     “Bom dia. Meu nome é fulano, sou assistente administrativo há 2 anos e 4 meses. Durante esse período, sempre fui avaliado como um profissional focado em resultados imediatos, que demonstra espírito de equipe e que mantém bom nível de relacionamento com os colegas. Se for promovido a supervisor, acredito que terei todas as condições de contribuir ainda mais. Mas, seja qual for o resultado, gostaria de dizer que sou muito feliz por trabalhar aqui. Se a oportunidade não surgir agora, saberei esperar por ela.”
Para finalizar, você confere o tempo no relógio e diz:
“Levei 42 segundos, porque gosto de ser produtivo. Obrigado pela atenção de todos.”
Com um discurso assim e um final surpresa, você provavelmente vai se diferenciar dos demais e vai ter tudo para garantir a promoção.

Amanhã: Use o tempo a seu favor

Max Gehringer

terça-feira, 15 de junho de 2010

Valorize seus acertos

Outro caso de quem não consegue se sair bem ao explicar por que foi demitido. Aqui o enredo e um pouco mais complexo, como toda boa segunda parte de uma saga. Desta vez, a história é estrelada por uma funcionária, demitida após quatro anos. Ela cometeu um erro burocrático, devidamente assumido, que resultou na perda de um cliente e custou o emprego dela. Desde então, foram duas entrevistas. Na primeira, ela contou toda a verdade, ficou nervosa, chorou...Na segunda,decidiu inventar,e usou a história da reestruturação. Ficou nervosa e perdeu a vaga. Qual a saída?
A sinceridade sempre é a melhor saída. Vamos analisar o caso. Em minha opinião, o problema é que a candidata deu uma importância exagerada á demissão – apesar de ser apenas uma das perguntas da entrevista. Daí, ela acabou perdendo a concentração e ficou desnorteada.
Então, o jeito é mudar o foco para a próxima entrevista. Minha dica para esse tipo de situação é enfrentar o monstro logo de cara, em vez de esperar que ele apareça. Da para aproveitar a clássica questão “Fale um pouco de você” para eliminar o problema.
Algo assim: “Tive quatro anos de excelente desempenho em meu ultimo emprego. Sempre fui bem avaliada por meus chefes. Saí porque a empresa adotava uma política de tolerância zero em relação a erros. Quando cometi um, aceitei a dispensa. Afinal, eu sabia da regra e não tenho nada a reclamar.”
E o mais importante: não deixar de valorizar todos os outros dias de acerto, que foram muitos. Desse modo, a candidata se livra da pergunta da demissão sem mentir e sem precisar dar mais detalhes.

Amanhã: Tenha jogo de cintura

Max Gehringer

segunda-feira, 14 de junho de 2010

A razão da demissão

Por que você foi demitido de seu ultimo emprego? Esta é uma pergunta que sempre rende uma boa historia. A versão do demitido pode até incluir intriga do chefe, puxada de tapete do gerente, fofoca da secretária e conspiração da mulher do cafezinho. Mas atenção: durante a entrevista, esqueça a sua historia. Caso contrário o maior prejudicado será você.
Não vou dizer que o profissional em questão tende aceitar uma demissão que, na opinião dele, foi injusta. É que existem verdades factuais e versões que podem ser verdadeiras, mas que expressam opiniões próprias.
A verdade factual é a demissão. Já as versões partem dos dois lados da historia: do lado do funcionário demitido e o do lado do superior que decidiu pela demissão.
Durante a entrevista, o entrevistador vai conhecer apenas a sua versão do episodio. Porque não dá para fazer uma acareação com a outra parte, que provavelmente contaria uma historia diferente. Na duvida, pode ser mais pratico contratar outro candidato, em vez de tentar desvendar a verdade por traz de uma historia enrolada.
Assim, por mais verdadeira, sincera injustiça que seja a historia de sua demissão, deixe para lá. Não é o entrevistador que vai repará-la. Ele está ali para selecionar o melhor candidato para determinado cargo, não para sentir pena nem fazer justiça por você.
Então, quando for perguntado porque foi demitido do emprego anterior, diga apenas que houve uma reestruturação na empresa. Como sabemos, reestruturação é sinônimo de corte de funcionários. Pronto, você não deixou de falar a verdade e melhor: economizou seu tempo e o do entrevistador. Próxima pergunta, por favor!

Amanhã: Valorize seus acertos.

Max Gehringer

domingo, 13 de junho de 2010

Timidez não é defeito

Muita gente não gosta de ser o centro das atenções. Não gosta é pouco. Tem pavor, prefere se esconder no banheiro ou enfiar a cabeça num buraco. Por causa da timidez, algumas pessoas acabam indo mal em entrevistas. Porque deixaram de falar tal coisa, porque ficaram nervosas, porque se calaram ou porque tropeçaram nas palavras. Daí vem a pergunta: como deixar de ser tímido?
Antes que você fique com o rosto corado, saiba que timidez não é defeito. É um traço de personalidade. E, como tal, é preciso aprender a lidar com ela. Quem é tímido tem mais dificuldades para se expressar. Sabe porque? Porque teme a reação dos outros. Daí bate a insegurança que toma conta da pessoa. Para combater o medo é preciso demonstrar coragem.
Uma boa oportunidade para explorar sua coragem já tem data marcada: a sua próxima entrevista. Quando o entrevistador vier com a clássica questão “Fale um pouco de você”, fale sem medo. Pode começar assim: “Eu sou tímido e estou tentando superar essa dificuldade”. Verbalizar a situação vai deixá-lo mais a vontade. Um leve sorriso também cai bem. Na condição, você pode dizer que seu desempenho no trabalho será melhor do que suas respostas durante a entrevista.
Não se preocupe com a reação do entrevistador. Você não vai ser censurando por falar de sua timidez nem vai ser dispensado da sala. No mínimo, vai ganhar a compreensão dele. Mais do que isso: para determinadas funções é mais indicado contratar pessoas introvertidas, que tendem a demonstrar maior concentração nas tarefas. Portanto, saiba lidar com a sua timidez com cara e coragem.

Amanhã: A razão da demissão

Max Gehringer

sábado, 12 de junho de 2010

Atençao aos detalhes

Detalhes fazem a diferença na entrevista. Ainda mais quando a vaga em questão tem contato direto com a chefia – como o cargo de secretaria ou assistente. Porque suas respostas na entrevista podem revelar sua atitude diante do futuro chefe.
Para acertar no alvo, imagine o dia da entrevista como se fosse o primeiro dia no novo emprego.
1. Escolha a roupa adequada. Vista-se com discrição e elegância. Da mesma forma, não exagere no perfume. No caso das mulheres, também é bom fazer uma maquiagem leve, aliviar no tom do batom e do esmalte e usar poucos acessórios.
2. Desligue o celular antes de entrar na sala de entrevista e não o coloque sobre a mesa. Melhor deixar tudo guardado dentro da bolsa.
3. Fale o necessário. Não conte longas historias. Cargos diretamente ligados à chefia não combinam com muito blá-blá-blá.
4. Sorria sempre que houver uma chance. O sorriso passa a imagem de uma pessoa agradável, com quem vale a pena conviver oito horas por dia. Mas atenção! Gargalhada não!
5. Se o entrevistador fizer uma pergunta de sua vida pessoal, não se ofenda. Pode ser, por exemplo, “Você namora?”. Apenas responda sim ou não e complete dizendo que todos os aspectos de sua vida pessoal estão bem organizados e não vão interferir em seu trabalho.
Por fim, se o entrevistador perguntar “Alguma coisa que você gostaria de saber?”, aproveite para dizer “Sim”, dê um sorriso e pergunte “Quando eu posso começar?”

Amanhã: Timidez não é defeito

Max Gehringer

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Não espere sentado

Você acha que foi muito bem na entrevista. No dia seguinte, confiante, você aguarda uma resposta da empresa. Três dias depois, ansioso, você continua esperando um retorno. Uma semana e você, preocupado, já não sabe mais o que pensar. Uma atitude que passa pela sua cabeça é ligar para a empresa. Será que é uma boa?
Não, não é uma boa. Tudo o que você podia fazer já foi feito. Então, depois de sair da sala do entrevistador, o melhor a fazer é esquecer a entrevista.
Dali em diante, a vida segue. Se você estiver empregado, concentre-se em seu trabalho. Se estiver desempregado, concentre-se no próximo processo de seleção. Fácil não? Que nada! É natural que aquilo fique martelando em sua cabeça.
Na maior parte dos processos de seleção, a empresa se comporta como o juiz de futebol ao marcar um pênalti. A decisão está tomada e nem tem conversa. As poucas empresas que dão um retorno ao candidato não entram em detalhes.
Claro que seria bem melhor se você soubesse que não foi chamado porque malhou seu ex-chefe, porque escolheu mal a roupa, porque não usou o desodorante ou porque sua letra era muito feia.
Brincadeiras à parte, não é isso o que acontece. A explicação, quando existe, é vaga. Porque a empresa não tem interesse em desenvolver bons candidatos para outras empresas.
Um amigo, ao final de sua entrevista, resolveu perguntar para o entrevistador: “Caso eu não seja contratado, posso ligar para ter um retorno?” e ouvi como resposta: “Por que você acha que não será contratado?” Até hoje ele acredita que perdeu a vaga ali.



Amanhã: Atenção aos detalhes



Max Gehringer

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Será que fui bem?

Esta é a duvida de todos os candidatos assim que colocam o pé fora da sala de entrevista. Tem jeito de saber se você foi bem? Tem sim. Muitas pistas são dadas pelo próprio entrevistador. Se você conseguiu prestar atenção nele, dá para imaginar como você se saiu.
Ao final da entrevista, não pule de alegria se o entrevistador disser alho como “você foi bem”. É o comentário padrão. Equivale a outras frases profissionais como “Vamos tomar um café um dia desses”, “Eu te ligo”. Assim, se você ouvir um “você foi bem”, apenas agradeça.
Agora, vamos descobrir se você foi bem de verdade. Durante a entrevista, diversos sinais podem ser identificados.
1. Relógio – o entrevistador não olhou para o relógio: positivo. Olhou uma vez: negativo. Olhou mais de uma vez: desastre.
2. Durante a resposta – o entrevistador o incentiva a desenvolver sua resposta com um sorriso, um aceno de cabeça ou um gesto com as mãos: bom sinal. O entrevistador interrompe sua fala: você esta no caminho errado, falando muito ou fugindo da pergunta.
3. Após a resposta – o entrevistador pediu para explicar melhor um trecho, dar exemplos ou contar uma historia pessoal: sinal de interesse. O entrevistador fez as perguntas uma atrás da outra: sinal de entrevista burocrática.
Mas, no final, se você foi bem mesmo, a empresa entrará em contato com você em menos de dez dias.

Amanhã: Não espere sentado.

Max Gehringer

terça-feira, 8 de junho de 2010

Lição de humildade

Tem candidato que se acha tão bem preparado que acaba perdendo a vaga. É o caso de um profissional que se considera um excelente programador de sistemas. Por isso mesmo, não tem a menor paciência com entrevistas de emprego. Logo que começa a responder as perguntas, percebe que os entrevistadores não tem noção da complexidade de sua função. E conclui que eles não tem qualificação para julgar sua competência. O ideal, na opinião dele, seria conversar diretamente com o gerente de Sistemas da empresa.
É bom ter em mente que em processos de seleção sempre aparecem candidatos bem qualificados. A triagem inicial separa os 10% ou 20% que vão se encaixar melhor na cultura da empresa.
Então, o recado vale para todos os candidatos que tem a mesma impressão dos processos de seleção. Esforce-se para capricha na entrevista. O que conta ali não é sua opinião sobre o RH. É a opinião do RH sobre você.
Uma dica é imaginar a entrevista como uma escala obrigatória antes de chegar ao seu destino. Ou seja, antes detratar os assuntos com seu futuro chefe, é preciso passar pelos entrevistadores.
Nesse caso, ser eliminado já na entrevista inicial pode indicar que o candidato demonstrou menosprezo pelo processo de avaliação, como se ele estivesse esperando para falar com quem realmente interessava. Se assim for, é preciso mudar o comportamento.
A função do RH não é apenas descobrir se o profissional é competente em suas tarefas. É também saber se ele é uma boa pessoa – e se, por tabela, será um bom colega. Isso conta bastante para criar um ambiente de trabalho melhor para todos.

Amanhã: O teste da letra

Max Gehringer

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Seja diferente

É só dar uma olhada em livros de auto-ajuda profissional para encontrar as lições infalíveis para se dar bem na entrevista. Sempre tem um capitulo que fala da postura vencedora. Ande com confiança. Mantenha a cabeça erguida. Aperte as mãos com firmeza, mas sem usar força demais. Sentado, fique com a coluna reta. Controle suas mãos. Olhe nos olhos. Não tem erro. Será mesmo?
Não há duvida: a postura conta pontos a favor ou contra. Os entrevistadores ficam atentos aos pequenos gestos, porque eles ajudam, a mostrar quem é o candidato.
Por diversas vezes, entrevistei pessoas que me deixaram impressionado. Todos adotaram a já mencionada postura vencedora. Passos firmes, cabeça erguida, olhar para a frente. Apertavam a mão com firmeza. Sentavam-se com a coluna devidamente alinhada, sem se esparramarem na cadeira. Movimentavam as mãos com equilíbrio. E, como não podiam deixar de ser, me olhavam nos olhos. Contato visual profundo ou, em outra palavras, me encaravam sem parar. Cada fala acompanhada de um gesto correspondente, sem exageros.Logo que a entrevista terminava e o candidato deixava a sala, eu exclamava “Uau!” – e imediatamente jogava o currículo no lixo. Por que? Porque, se a pessoa fosse assim mesmo, eu não gostaria de trabalhar com ela. E se fosse encenação, iria gostar menos ainda.
Conversando com meus colegas, concordávamos que os manuais de entrevistas são capazes de ensinar quase tudo. Menos as duas características que mais apreciamos em uma pessoa com quem vamos conviver todos os dias: sinceridade e autenticidade.

Amanhã: Lição de humildade

Max Gehringer

domingo, 6 de junho de 2010

Atenção aos seus gestos

Uma pessoa não foi contratada porque, segundo o entrevistador, ela dizia uma coisa, mas seu corpo falava outra. Isso é possível? Acredito, é perfeitamente possível. As vezes, a voz transmite uma informação que não combina com a postura corporal. E isso acontece sem a gente perceber.
A comunicação não é feita apenas pela sua voz. O que você fala é apenas um componente de um conjunto de sinais que o seu corpo transmite a todo instante. Ou seja, mesmo quando você fica em silencio, sua expressão facial e seus movimentos corporais estão falando por você. E os entrevistadores são treinados para identificar todos esses sinais. É a chamada linguagem não verbal. Processos de seleção empregam essas técnicas para analisar os candidatos.
A lista de sinais não verbais é bem extensa. Alguns deles são: braços cruzados enquanto alguém fala indicam desinteresse ou discordância; mão na frente da boca enquanto você fala é sintoma de incerteza; sentar-se na beira da cadeira, com o corpo inclinado para a frente, é disposição para entrar em ação; ombros caídos apontam para tristeza ou desanimo; e assim por diante.
Já nos anos de 1950, o psicólogo Albert Mehrabian, especialista em linguagem corporal, publicou um estudo interessante. Segundo ele, apenas 7% do total da comunicação é verbal, feita por palavras. O tom de voz responde por 38% e os 55% restantes correspondem a linguagem corporal.
Em outra comparação, é como se um noivo, ao ser perguntado “Aceita fulana como sua legítima esposa”, respondesse “Sim”, mas abanasse a cabeça como se fosse um “Não”. Com certeza, não iria pegar bem.



Amanhã: Seja diferente.



Max Gehringer

sábado, 5 de junho de 2010

Mantenha os pés no chão

Em meio à entrevista vem a seguinte pergunta: “Aonde você pretende chegar profissionalmente?”. Cheio de confiança, você responde “O céu é o limite!” a resposta é bonita e deve impressionar pede, então, para você se explicar melhor. E você, já com menos confiança, busca a melhor saída, enquanto pensa “O que eu quis dizer com isso”.
Quando o entrevistador pergunta aonde o candidato pretende chegar em termos profissionais, a resposta mais indicada é falar de suas pretensões mais imediatas, nada além disso. Uma alternativa seria responder: “Quero dar um passo de cada vez e aproveitar ao máximo as oportunidades que forem oferecidas nessa empresa”.
Se, por outro lado, optamos por responder que “O céu é o limite”, ou algo do gênero, damos de bandeja um motivo para o bom entrevistador nos encostar contra a parede. Excluindo a poesia da resposta, existem dois céus: o metafísico, para onde são conduzidas as almas, conforme os preceitos de cada religião; e o físico, que é o universo em si. No primeiro caso, seu objetivo seria alcançar a felicidade eterna; no segundo, virar astronauta e chegar a outros planetas. Na entrevista de emprego, não é nem um nem outro.
É preciso tomar cuidado com as frases bonitas, mas que não tem conteúdo. Por exemplo: “Eu sou muito motivado” ou “Eu tenho espírito de liderança”. Que candidato diria que é desmotivado ou que não leva jeito para ser líder?
Por isso, frases feitas devem ser evitadas. Ter como meta profissional chegar ao céu soa poético e, sem duvida, é um belo objetivo de vida. Mas a dica para entrevistas de emprego é manter os pés no chão.

Amanhã: Atenção aos seus gestos

Max Gehringer

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Viramos uma China?

O Brasil começou o ano em ritmo de crescimento chinês. Por que não vamos conseguir sustentar essa taxa.
Há dois anos, o Brasil tinha a expectativa de uma economia perto de 7% de crescimento. Aí veio a crise global, e nós crescemos zero. Nas circunstâncias mundiais, até que esse zero foi um lucro. Era um zero, mas com viés de crescimento. Esse viés se cumpriu. Só nos primeiros quatro meses do ano, já criamos quase a metade dos ambicionados 2 milhões de empregos formais. Com base na atividade econômica do país, o mercado financeiro projetou um crescimento anual de 6,5%, o dobro da média da década. Essa estimativa, já muito boa, está sendo considerada defasada por algumas entidades relevantes. A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) fala em 7% e o Itaú Unibanco em 7,5% de crescimento anual. Se mantivesse o ritmo do primeiro trimestre – algo difícil de acontecer –, o país cresceria cerca de 10%, o triplo da média da década, similar ao ritmo da economia chinesa. Na história recente, o Brasil só teve esse ritmo nos anos 70, durante o regime militar, e ele não se refletia, como hoje, em diminuição da desigualdade – o país crescia, e os pobres continuavam pobres.
É claro que é empolgante falar em “crescimento chinês”, “novo milagre econômico” ou “volta ao ritmo dos anos 70”. Mas é uma empolgação desavisada. O crescimento do Brasil que usava calças boca de sino, de 9% ao longo de mais de uma década (de 1968 a 1980), não vai se repetir. Por dois motivos.
O primeiro é que a taxa de crescimento não pode ser dissociada do estágio da economia. Países menos maduros crescem mais por uma questão matemática. Para alguém com R$ 2 no bolso, uma nota de R$ 2 significa crescimento de 100%. Para alguém com R$ 10, é apenas 20%. O mesmo acontece com os países. Segundo projeções do FMI, Gana, no noroeste da África, deverá crescer 20% no ano que vem. A Alemanha apenas 1,7%.

Revista Época

Seja positivo

Por que você saiu do ultimo emprego? Quando aparece esta pergunta, muitos candidatos começam a falar mal da ex-empresa, do ambiente de trabalho ou dos colegas. De tão injustiçados no emprego anterior, alguns chegam até a cair em lágrimas durante a entrevista. Só que tentar sensibilizar o entrevistador com suas historias dramáticas não vai ajudá-lo a conquistar a vaga.
Em entrevistas de emprego, evite o drama. Ali não é o lugar para uma sessão de terapia. O entrevistador não vai contratar um candidato porque ficou com dó. Por mais que a historia seja verdadeira, que você foi injustiçado, que seu chefe era uma víbora, que sua competência não tenha sido reconhecida. Você só tem a perder com essa conversa.
Em vez de falar mal do emprego anterior e se lamentar da falta de oportunidades, adote outro discurso. Porque, de modo geral, entrevistadores não gostam de candidatos que falam mal da ex-empresa. É melhor falar bem. E você muito provavelmente não vai estar mentindo.
Afinal, apesar de todas as coisas ruins que qualquer emprego tem, sempre sobram boas historias para contar, bons momentos para lembrar. Diga que você gostava do ambiente de trabalho e dos colegas. Que você aprendeu muito durante sua passagem por lá. E que sua saída ocorreu por um corte de custos. Pronto! Não doeu nada. E você já poderá seguir para a próxima pergunta.
A regra para entrevistas é: fale coisas boas. Entrevistadores apreciam a sinceridade. Mas, na hora de decidir, acabam contratando pessoas positivas.

Amanhã: Mantenha os pés no chão.

Max Gehringer

quinta-feira, 3 de junho de 2010

O seu maior defeito

Qual é o seu maior defeito? Essa é uma pergunta muito comum em entrevistas de emprego. Aposto que passou pela sua cabeça responder “Meu defeito é que sou perfeccionista”. É a resposta de 9 em 10 candidatos. Pega bem, porque ser perfeccionista parece uma virtude. Mas no mundo corporativo isso pode ser mesmo em tremendo defeito.
Alguns exemplos:
Resposta 1: “Meu maior defeito é ser perfeccionista”
Caramba! Deve ser difícil trabalhar com você. Porque o perfeccionista tem problemas para se adaptar ao ambiente de trabalho em que um depende do outro. Porque o perfeccionista tem dificuldade para confiar nos outros. Porque o perfeccionista não aceita críticas. Porque o perfeccionista se preocupa mais com detalhes do que com o resultado final, o que atrasa os processos. Porque para o perfeccionista nenhum trabalho está bom. Então, só responda isso se este for realmente seu maior defeito. Mas não o use para tentar impressionar o entrevistador.
Resposta 2: “Meu maior defeito é ser ansioso”
Outra saída bastante usada pelos candidatos. Ser ansioso – sem ser exagerado – não é defeito. É virtude. A ansiedade é uma resposta natural do organismo para ficar em estado de alerta. Ou seja, a pessoa fica atenta e pronta para agir. Defeito mesmo é ficar sossegado quando o circo está pegando fogo.
Reposta 3: “Nunca aceitar meus erros”
Ouvi esta resposta de um candidato. Disse-lhe que, se estivesse sendo sincero, ele teria uma carreira de sucesso. Dito e feito. Anos depois, virou superintendente de uma grande empresa. No caso, a beleza da resposta não estava em sua simplicidade. Mas no fato de ser verdadeira.



Amanhã: Seja positivo.



Max Gehringer